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Vale Furado: O sossego fica a dez quilómetros da Nazaré

“Às curvas e entre canaviais, encontramos alguns quintais e os jardins de duas ou três pequenas casas com terraços e, do lado esquerdo, uma queda de água do ribeiro que desce do pinhal e corre pela encosta”.

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Praia Vale Furado
Foto: Praia Vale Furado / Pedro Carvalheiro

À chegada ao Vale Furado, a vista parece cenário de um filme, num dia de sol, a meio da manhã de uma segunda feira a meados do mês junho. Do Largo do Miradouro, também parque de estacionamento, avista-se o mar azul, e em baixo, ao fundo, o areal comprido e estreito, e com zonas de rochas.

“Somos dez a viver aqui. Há apenas um restaurante e um café, que estão agora  fechados, e não há WC’s públicos,” descreveu o senhor Ramos, de 78 anos, a viver ali ao lado, que encontrámos a ver o mar, no ponto mais alto do Vale Furado, o Largo do Miradouro.

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“Também há aqui casas de arrendamento para férias. Sou natural de Tarouca, vivi seis anos em Pataias, e vim há muitos anos para o Vale Furado. É a melhor praia. É pequena, aconchegada e abrigada a norte. As pessoas que aqui veem procuram sossego. O mar tem levado a areia. Há uns anos, dava para ir a pé, pelo areal até ao Sítio da Nazaré, agora não. A praia está mais pequena. Há projetos de demolição das casas nas arribas, mas não há dinheiro, talvez daqui a cinquenta anos…” lamentou o senhor Ramos.

A menos de um quilómetro, a seguir à saída da Estrada Atlântica, encontramos o Vale Furado. O corte fica logo a seguir ao parque de campismo, no sentido de quem vem  da praia de Paredes de Vitória.

No Vale Furado há também ligação às Paredes, por outra estrada, a Rua Oceano Atlântico, que passa junto ao campismo, esta mais perto do mar. Seguindo pela Estrada Atlântica, após dez quilómetros, chegamos ao Sítio da Nazaré. No cruzamento do Vale Furado, há ainda algumas árvores que sobraram do grande incêndio de 2017, no Pinhal do Rei.

Já a zona envolvente à pequena povoação da praia, está agora apenas com mato rasteiro.

A placa toponímica, Rua dos Moinhos, do lado direito, dá início à descida íngreme, com cerca de oitenta metros em piso de alcatrão, antes da entrada na Rua da Praia, numa curva onde começa outra descida, esta estreita e com 130 degraus. Às curvas e entre canaviais, encontramos alguns quintais e os jardins de duas ou três pequenas casas com terraços e, do lado esquerdo, uma queda de água do ribeiro que desce do pinhal e corre pela encosta.

Na descida, protegida por um velho corrimão de madeira, com recantos com velhos bancos, ouve se a água a cair de uma pequena cascata, no rasgo da falésia, que cai junto ao local onde terminam as escadas, e fura o areal em direção ao mar.

“Vim cá pelo sossego e para o meu neto brincar no pequeno ribeiro. Venho pelo meu neto. Sou da Nazaré. Venho aqui muitas vezes. Esta praia é abrigada do vento norte, devido às falésias,” disse Dário Barroso, de 72 anos, uma das quatro pessoas que encontramos naquele dia na praia, no areal estreito e comprido. “É um desastre anunciado.” Junto ao pequeno riacho, a guardar o neto, entre a encosta e o mar, Dário Barroso, lembrou o problema ambiental naquela praia, das arribas que podem cair, levando as casas.

“Pequena povoação sazonal,” descrita no site do município, o lugar do Vale Furado, é uma das nove praias pertencentes ao concelho de Alcobaça, que não tem vigilância nem barracas, tem um bar e é considerado local de interesse turístico.

Contactada sobre o aspeto ambiental, turístico e urbanístico, a Câmara de Alcobaça ainda não respondeu ao Notícias de Leiria.

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Sou o Pedro Carvalheiro, de 53 anos, natural de Leiria. Gosto de escrever e fotografar. Sou licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia pela Escola Superior de Educação e Ciencias Socias de Leiria, terminado em 2015. No ano seguinte especializei-me em Comunicação Acessível.

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