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Cinema

Tenet – Nada mais do que um bom filme de ação

“As personagens complexas e bem construídas, que nos habituámos a ver noutros filmes de Nolan, desaparecem por completo em Tenet, tornando-se simples estereótipos”.

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Filme Tenet
Foto: Facebook Tenet

Título: Tenet
Realizador: Christopher Nolan
Ano: 2020
Classificação Notícias de Leiria: 7 brisas do lis
(Legenda: 0 brisas – fraquinho / 10 brisas – imperdível)

 

O Protagonista (John David Washington) é recrutado para uma missão secreta, que consiste em evitar a III Guerra Mundial, na qual a “inversão” do tempo terá um papel fundamental. É esta a premissa do muito aguardado novo filme de Christopher Nolan.

Tenet é uma grande produção, com muitas e longas sequências de ação, fantásticos truques visuais e cenários magníficos. Então, porque desilude? Para além de a fasquia estar muito alta, no seguimento de filmes como Memento, A Origem e Interestelar, a história baseia-se num tema frequentemente explorado: as viagens no tempo e dos paradoxos resultantes das alterações ao passado. Para trazer algo de diferente e surpreendente, Nolan criou as armas “invertidas”, um conceito que parece incompleto e cuja explicação não teve grande destaque ao longo do filme. As armas “invertidas” e o tempo “invertido” permitiram a criação de cenas espetaculares a nível visual, mas que se tornaram cansativas rapidamente, quando o mesmo truque é repetido várias vezes.

As personagens complexas e bem construídas, que nos habituámos a ver noutros filmes de Nolan, desaparecem por completo em Tenet, tornando-se simples estereótipos. O vilão russo que quer destruir o mundo, a donzela em apuros que é salva pelo herói forte, temerário e misterioso… O fato de a coprotagonista feminina Kat (Elizabeth Debicki) ser chantageada para manter o seu relacionamento com o vilão e o filho que têm em comum ser utilizado como peão nesse jogo é uma narrativa ultrapassada; principalmente quando é a chegada do herói, O Protagonista sem nome, que desencadeia a resolução ativa destes problemas.

Apesar de não corresponder às expetativas quanto ao conteúdo, sendo uma das menos interessantes longas-metragens do aclamado realizador, em termos formais é um bom filme para os fãs de ação ao estilo 007.

Veja aqui o trailer:

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Filipa Reis sempre foi apaixonada pelas imagens do grande ecrã e também do pequeno. É consumidora assídua e ávida de longas-metragens, documentários, séries e livros. Licenciou-se em Comunicação Social, pela Escola Superior de Educação de Coimbra. Depois de estagiar na ESEC TV, foi assistente de produção no programa Câmara Clara da RTP. Em 2013, iniciou uma nova fase profissional, na LUA Filmes, onde se mantém até hoje como produtora.

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