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Opinião

Socialismo democrático e o investimento na nossa região

“O bom planeamento e consequente execução dos dinheiros da Europa previstos no âmbito do Plano Nacional de Investimentos (PNI 2030), só podem catapultar Leiria para um patamar único de excelência no panorama nacional e europeu.”

Publicado

em

Opinião Rui Tomás
Foto: NL

O nosso distrito tem um potencial imensurável. Sim, bem sei que esta frase pode soar a cliché por já a ouvirmos há dezenas de décadas e porque, provavelmente, a iremos continuar a ouvir.

Se já a ouvimos, não podemos automaticamente pensar que tal se deve à falta de qualidade dos autarcas e governantes, por falta de planeamento e ideias, por falta de interceder junto da administração central, pela falta de apoios e consensos, pelos timings, entre tanto outros fatores; se a continuarmos a ouvir, que seja por sermos uns “eternos inconformados” em busca de uma sociedade melhor, porque os projetos de ontem já não servem para hoje e precisamos de inovar, uma vez que vivemos numa sociedade em constante mutação, porque a sociedade progride e com elas novas ideias, porque a digitalização é um processo constante e porque, sobretudo, precisamos que as pessoas venham para a vida pública, não a encarando como um empecilho nas suas vidas.

É óbvio que ainda falta fazer muito por acontecer à nossa volta. Darei um exemplo prático do que poderia acontecer no nosso distrito e na região centro caso se concretizasse a aberta da Base Aérea de Monte Real à aviação civil. Após tanto debate, creio que já todos paramos para pensar no quanto cresceríamos caso isto se tornasse realidade; não acredito que possa haver alguém que queira o bem e prosperidade da nossa região contra este investimento tão importante. É importante também frisar que este investimento não seria feito a pensar daquele feito no Montijo, mas antes complementar.

Aliada a uma melhoria da rede rodoviária do nosso distrito, nomeadamente do IC2 e do IC8, o bom planeamento e consequente execução dos dinheiros da Europa previstos no âmbito do Plano Nacional de Investimentos (PNI 2030), só podem catapultar Leiria para um patamar único de excelência no panorama nacional e europeu.

Quem não gostaria de, por exemplo, trabalhar em Lisboa e estar a cerca de 40 minutos de comboio do concelho da Marinha Grande (como é o meu caso) e de se poder deslocar diariamente cerca de 300km em tão pouco tempo? Porque haveria grande parte da massa jovem da nossa região de se deslocar para Lisboa, como acontece hoje, em busca de uma boa oportunidade de trabalho quando todas as condições estariam reunidas para as mesmas serem encontradas mesmo à nossa beira? A crescente oferta de trabalho qualificado seria uma realidade muito próxima de nós. Imaginemos só o que teríamos a ganhar com a melhoria das nossas estradas e com um investimento nunca visto na ferrovia.

A valorização e escoamento dos produtos do setor primário (pesca, arte xávega, agricultura biológica), uma nova era de industrialização que já está em andamento, tão importante para a economia local da Marinha Grande, Leiria ou Alcobaça, que encontraria na ferrovia um forte aliado no transporte da obra prima; e a deslocalização/descentralização dos serviços centrais do Estado para outros pólos urbanos que não Lisboa ou Porto, permitiria uma maior abrangência técnica, geográfica e de recursos humanos dos serviços públicos.

No caso do turismo, olhemos para a Nazaré e para o trabalho de excelência levado a cabo pelo Walter Chicharro. O conceito de city branding e a sua proliferação permitiria arrecadar mais receita aos municípios que, numa sociedade das tecnologias da informação, poderia explorar aspetos e campos de investimento nunca imaginados. Para que este conceito de cidades como marca possa avançar não podemos deixar ninguém para trás: idosos, jovens, população ativa, pensionistas, etc. Apenas com todos envolvidos podemos transmitir o que de melhor cada uma tem. A Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, por exemplo, tem em marcha um plano largamente financiado pelo Mar 2020 para valorização da cultura avieira, requalificação do mercado de peixeiras e a criação de um circuito de arte urbana ligado à arte xávega e à cultura local. Estes são aspetos que, indubitavelmente, deveriam constar do plano de uma cidade inteligente. Oiçam e leiam Pedro de Sousa Santos acerca desta temática. Natural de Alcobaça, é a pessoa mais bem preparada para nos falar destes conceitos.

Se, a par de tudo isto, formos capazes de investir na educação e na saúde, de proteger aqueles que mais sofrem com as desigualdades produzidas pelo mercado, de dar seguimento a uma política de habitação sustentável para que os jovens se emancipem, talvez consigamos ser um bocado mais felizes. Anos de crise causada pelo sistema bancário, fazendonos acreditar que éramos nós, comuns mortais, os principais culpados. Se apenas podemos ter uma habitação ou viatura própria através do crédito, será mesmo nossa a culpa de tudo o que sucedeu? É culpa nossa que os salários que auferimos não nos permita viver condignamente e que cada um se tenha de “safar” por si só? Temos de largar esta visão individualista da sociedade e pensar nesta como um todo. O problema do meu vizinho é o meu problema e eu vou-me bater por o resolver em comunidade. Se há pessoas pobres, não devemos esperar “caridadezinha” para com elas e deixá-las entregues à sorte; precisamos de agir com medias concretas. Se vivemos em comunidade, assim ajamos!

Presidente da Juventude Socialista da Marinha Grande.

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