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Sociedade

Reportagem: Rua Direita fechada ao trânsito é “menos perigoso para os peões”

“Vive a Rua Direita” é o mais recente projeto do Município de Leiria nascido para revitalizar a Rua Barão Viamonte, mais conhecida por Rua Direita.

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Mural Rua Direita Leiria
Foto: Mural Rua Direita, em Leiria / NL

Uma das medidas do projeto de revitalização da Rua Direita é o condicionamento do trânsito ao fim de semana, passando a estar encerrado das 17h00 de sexta-feira às 02h00 de domingo.

A deliberação da Câmara Municipal de Leiria foi tomada em conjunto com os moradores e comerciantes. “A medida beneficia o pouco comércio que a rua tem. Concordo a 100%,” respondeu Abel Gregório, do restaurante Porto Artur, à passagem do Notícias de Leiria pela Rua Direita, no primeiro fim de semana sem trânsito, dias 12 e 13 de setembro.

Restaurante Porto Artur, Leiria Foto: Abel Gregório, do Restaurante Porto Artur / NL

“Só em Leiria é que a Rua Direita tem trânsito. Não conheço outra com trânsito em Portugal,” reforçou o gerente do restaurante, existente há 65 anos numa das transversais que dá ligação à Praça Rodrigues Lobo.

“A rua devia de ser encalcetada, criadas as condições para peões e aberta a carros, apenas para cargas e descargas e moradores,” argumentou Abel Gregório.

“É menos perigo para os peões”.

“Não tinha conhecimento. É menos perigoso para os peões,” avançou, momentos antes, ao Notícias de Leiria, a brasileira Ana Paula, de 39 anos, a servir às mesas num dos cafés perto da Rodrigues Lobo. “Assim os turistas vão estar mais à vontade”, conclui a funcionária.

“Não tenho opinião. Não me quero meter no assunto,” rápido a responder, disse o proprietário de um café junto a outra transversal que dá acesso à rua direita. Já antes, um rapaz a trabalhar num restaurante asiático que vende sushi, ao lado do Porto Artur,  referiu em inglês, que não conhecia a decisão, e que até concorda, porque a Rua Direita, tem poucos lugares de estacionamento, o que dificulta o trânsito.

“Sem necessidade de se chegarem para o lado para deixar passar os carros”.

“Sim tenho conhecimento. Vai ajudar o comércio, porque vai ser uma forma de as pessoas estarem mais à vontade para percorrer a rua, sem necessidade de se chegarem para o lado para deixar passar os carros.” Para Patrick Soares, de 29 anos, há três semanas a explorar o bar “3ª Parte,” onde existiu nos anos 80, a antiga papelaria Americana, a medida tem uma contrapartida que é tornar a rua mais parada.

Bar 3 Parte Patrick Soares Foto: Patrick Soares e colega do Bar 3ª Parte / NL

“Há quem passe de carro e vê o que se está a passar, mas não haver carros é uma vantagem, porque não estraga tanto o passeio rural na zona histórica” sublinha Patrick Soares. A trabalhar com Patrick no bar, uma jovem, lembrou ainda que, no sábado à noite já se sentiu a diferença para melhor, com a passagem do rancho folclórico no âmbito do evento “Clássicos na Cidade.”

Em setembro oleiros da Bajouca trabalham ao vivo

Além do trânsito condicionado, “Viva a Rua Direita” também aposta na dinamização cultural. Durante o mês de setembro, os artesãos oleiros da Bajouca vão apresentar-se no centro histórico de Leiria, na Praça Eça de Queiroz e na Rua Barão de Viamonte (Rua Direita), aos fins de semana.

Os artífices vão estar a trabalhar ao vivo, acompanhados pela música executada por alunos da Sociedade Artística Musical dos Pousos (SAMP).

Pedro Pedrosa, de 48 anos, é um desses oleiros. “Não tenho opinião porque só estou aqui nos fins de semana de setembro”, referiu ao Notícias de Leiria.

Pedro Pedrosa Oleiro da Bajouca Foto: Oleiro Pedro Pedrosa / NL

“A convite da Câmara de Leiria, estou aqui durante um mês. Todos os oleiros da Bajouca vão passar pela Rua Direita” lembrou Pedro, junto ao Centro Cívico de Leiria – Eça de Queirós, enquanto moldava o barro, para a fotografia, numa banca de venda de peças em barro.

A coincidir com o fim de semana do evento “Clássicos na Cidade,” na Rua que sai do Terreiro em direção ao Largo da Sé, encontramos ainda um grupo de quatro ou cinco pessoas a tirar fotos, que vieram de Coimbra, alheios ao que se refere a trânsito e pouco dispostos a conversar.

Ouvimos também os desabafos de dois sem abrigo, que, à entrada de uma lavandaria, disseram não saber o que se estava a passar em relação a trânsito, direcionando os desabafos para as injustiças sociais.

Por ser fim de semana, e com o tempo muito quente, a convidar para sair de casa, perto do fim do dia, alguns estabelecimentos encontravam-se fechados. No local, o movimento de pessoas era muito pouco e claro, de automóveis, nenhum, apesar de bem compostas, quase todas as esplanadas da zona.

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Sou o Pedro Carvalheiro, de 53 anos, natural de Leiria. Gosto de escrever e fotografar. Sou licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia pela Escola Superior de Educação e Ciencias Socias de Leiria, terminado em 2015. No ano seguinte especializei-me em Comunicação Acessível.

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