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Reportagem: “Nunca vi a cara da senhora da limpeza”. Leirienses adaptam-se ao uso da máscara

“Todos os dias falo com pessoas que não conheço a cara”, diz Ana Dias, gerente de loja no LeiriaShopping.

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Mauro Freitas
Foto: Mauro Freitas, proprietário de um café / NL

Obrigatória devido à pandemia da covid-19, a máscara leva a que atualmente a comunicação interpessoal se faça sem o reconhecimento facial. Na passada semana, o Notícias de Leiria saiu à rua e ouviu o que dizem os transeuntes sobre esta nova “forma forçada” de relacionamento.

“É difícil identificar as caras. Tento-as reconhecer, mas também não é prioritário, eles aqui são clientes,” avançou Mauro Freitas, de 42 anos, proprietário de um café na Vieira, quando questionado pelo Notícias de Leiria.

“Entra aqui muita gente. Alguns já conhecia, outros não, mas também agora no inverno isto está mais calmo”, lembrou Mauro Freitas.

“Nunca vi a cara da senhora da limpeza que vem ao fim de semana. É muito comum não nos conhecermos, de ambas as partes. Os outros com quem me relaciono, já conhecia a cara antes da pandemia, e agora apenas têm a cara tapada,” disse uma funcionária a atender ao balcão no LeiriaShopping.

Ali perto, ainda no Shopping, Ana Dias, gerente de loja, disse que “Todos os dias falo com pessoas que não conheço a cara. Agora é uma constante, antes não. Mas nos meus relacionamentos pessoais, conheço toda a gente.”

“A maioria não tem cuidado e não a mete”.

“Há hoje uma crise de valores. Onde moro estão na esplanada do café toda a tarde sem máscara. Acho que o pessoal não está a aderir ao uso da máscara. A maioria não tem cuidado e não a mete,” desabafou ao Notícias de Leiria, José Almeida, de 76 anos, reformado bancário, a passar pelo Marachão, em Leiria.

José Almeida Foto: José Almeida / NL

Depois de aceitar ser fotografado, José disse ainda que “dos meus relacionamentos mais próximos conheço a cara a toda a gente.”

“Fui mãe. Estava em casa desde março.”

“Saí hoje à rua a primeira vez. Fui mãe. Estava em casa desde março.” Ainda no Marachão, encontramos Carla Gaspar, de 29 anos, a passear o filho no carrinho de bebé.

Carla disse ao nosso jornal que “quando vou às consultas é que não vejo a cara dos médicos, mas nos meus relacionamentos mais próximos, conheço a cara de toda a gente.”

“As pessoas que conheço usam máscara, mas já as conhecia todas antes”. Do lado junto ao Maringá, falamos com uma brasileira, a trabalhar nas limpezas em Portugal há 20 anos, que preferiu não se identificar.

De voz abafada e alterada devido à máscara, a mulher lamentou termos que andar todos de cara tapada.

“Ninguém gosta de usar máscara. Os clientes entram e tiram-na. Não, no meu dia a dia, não tenho casos de pessoas que não conheça o rosto. Conheço toda a gente,” disse uma empregada de balcão, de 31 anos, a trabalhar nos Jardins do Lis Galerias, que também preferiu não se identificar. “Agora não vejo as caras dos clientes.”

Do outro lado do café, veio também a opinião de Anabela Coelho, de 52 anos, proprietária de uma loja de fotografia, no centro comercial junto à margem do Lis, em Arrabalde da Ponte. Vizinhas no negócio, e bem humoradas, mesmo que ambas de cara tapada, lamentaram a nova realidade de comunicação interpessoal.

Sou o Pedro Carvalheiro, natural de Leiria. Gosto de escrever e fotografar. Sou licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia pela Escola Superior de Educação e Ciencias Socias de Leiria, terminado em 2015. No ano seguinte especializei-me em Comunicação Acessível.

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