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Pedrógão Grande: Faltou autoridade do Estado na distribuição de apoios – Cruz Vermelha Portuguesa

“A governação devia ter percebido que os órgãos autárquicos aquele nível não podiam ter tamanha responsabilidade”, afirmou o presidente da CVP, Francisco George.

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Francisco George
Foto: Francisco George / DR

O presidente da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) defendeu esta quarta-feira, no parlamento, que a atribuição dos apoios na sequência dos incêndios de 2017 em Pedrógão Grande teria corrido melhor com a presença da autoridade do Estado nos concelhos afetados.

“Portugal, a administração pública, a governação, devia ter percebido que os órgãos autárquicos aquele nível não podiam ter tamanha responsabilidade”, afirmou o presidente da CVP, Francisco George, referindo-se à reconstrução das casas afetadas pelos incêndios de junho de 2017 em Pedrógão Grande e nos concelhos limítrofes.

Falando numa audição na comissão eventual de inquérito parlamentar à atuação do Estado na atribuição de apoios na sequência dos incêndios de 2017 na zona do Pinhal Interior, Francisco George considerou que as autarquias não tinham meios disponíveis para acompanhar a reconstrução das casas, pelo que, “do lado da administração pública, houve decisões que não terão sido as melhores”.

“Na política houve falhas, ninguém tenha dúvidas disso, as decisões tomadas, como foram tomadas, os órgãos que foram envolvidos, há erros, mas esses erros só se veem agora, olhando para trás”, declarou o responsável, ressalvando que apenas foi empossado como presidente da CVP depois dos incêndios de junho, em 23 de novembro de 2017, mas acompanhou a situação no terreno nas funções de diretor-geral da Saúde, cargo que ocupou até 20 de outubro de 2017.

O presidente da Cruz Vermelha Portuguesa assegurou ainda que a intervenção da associação nos incêndios de 2017 em Pedrógão Grande “foi a troco de nada”, atuando “sem reparos” na utilização de dinheiro privado de donativos.

“No plano institucional, estou certo que a nossa atividade durante os incêndios e as questões levantadas no contexto da comissão de inquérito são bem reveladoras das boas práticas que foram seguidas”, avançou o presidente da CVP, Francisco George, acrescentando que estas boas práticas foram atestadas, sucessivamente, pelo Tribunal de Contas, pela Polícia Judiciária, pelo Ministério Público e pelos serviços da Segurança Social.

“Nenhum funcionário da CVP, nem sequer a instituição, recebeu qualquer contrapartida financeira pelo trabalho desenvolvido no contexto que está a ser analisado”, disse o presidente da associação humanitária, reforçando que a intervenção “foi a troco de nada, faz parte do ‘adn’ da CVP trabalhar no sentido da redução do sofrimento humano, em particular como resposta a catástrofes”.

Funcionando como “fiel depositária de verbas” de donativos de privados, a CVP tinha uma relação de colaboração como Fundo Revita, em que a associação assumiu a coordenação do apetrechamento das casas, mas quanto à reconstrução, inclusive nas cinco casas apoiadas em Pedrógão Grande, o protocolo foi celebrado diretamente entre a CVP e câmara municipal.

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