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Opinião

O Lugar da Cultura em Leiria

“Não nos podemos restringir à manutenção e divulgação de um conjunto de monumentos mais conhecidos – seja o referido mosteiro, o Castelo de Óbidos, o de Leiria ou, talvez num patamar de menor divulgação, o Museu José Malhoa”.

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em

Opinião Manuel Martins
Foto: NL

Uma das justificações mais comuns que oiço, ou leio, para justificar o estudo da História (que, a título inteiramente opinativo, deveria ter uma base de prazer sempre presente e independente de qualquer justificação utilitária que se encontre), é a famosa expressão de “estudar o passado, para compreender o presente”. Penso, de facto, que estudar o passado é um passo incontornável para que se compreenda o estado em que estamos – afinal, talvez um estudo aprofundado da inserção da Lusitânia no Império Romano enquanto espaço de “charneira”, como escreve Carlos Fabião numa comunicação para a VI Mesa-Redonda Internacional sobre a Lusitânia Romana, nos permita entender o porquê de, agora, Portugal ser tão “marketizado”, por falta de melhor termo em português, como um espaço de ligação entre vários mundos.

O exemplo que escolhi como ilustração não é inocente, como poucas coisas costumam ser na escrita. Não me ocorre, de cabeça, um exemplo tão excitante de descoberta recente (em termos histórico-arqueológicos) como o mosaico romano, talvez do século III, escavado em Verona, num espaço geográfico mais próximo de nós, mas também não é dele que me pretendo ocupar. O Museu de Leiria tem vindo a fazer, nas semanas recentes, um serviço público que considero indispensável, ao divulgar, nas redes sociais e em outros meios de comunicação, as descobertas decorrentes do trabalho arqueológico que está a ser levado a cabo sob a direção de Maria Adelaide Pinto, Vanessa Sousa e Cláudia Santos.

Essas descobertas revelam, a meu ver, o terreno fértil que o distrito de Leiria é para o estabelecimento de fortes polos culturais que não se cinjam, essencialmente, ao importantíssimo, mas também muito estudado e reconhecido, Mosteiro de Alcobaça.

Não nos podemos restringir à manutenção e divulgação de um conjunto de monumentos mais conhecidos – seja o referido mosteiro, o Castelo de Óbidos, o de Leiria ou, talvez num patamar de menor divulgação, o Museu José Malhoa – e estes trabalhos provam-no. É necessário haver esforços de inventariação, investigação e divulgação. Mas, e penso que seja mais importante que tudo isso, é necessário haver investimento, porque a Arqueologia, a Antropologia, a História, a Musicologia, os Estudos Teatrais, tantas outras e os tantos profissionais que as concretizam não podem estar dependentes nem das iniciativas de voluntariado pontual, nem da mercê ocasional e irregular de certas iniciativas.

Para que Leiria, e não apenas o seu castelo, se tornem numa referência patrimonial e cultural, isto tem que ser constante, e tem que ser forte.

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Membro da Federação da Juventude Socialista de Leiria. É estudante de História na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa.

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