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Num tom divertido Sandrina Francisco reúne experiências do confinamento em livro

O “Diário da Enclausurada” – A Vida na Quarentena relata as conclusões diárias de uma mulher workaholic fechada em casa 51 dias por causa da covid-19.

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Diário da Enclausurada
Foto: Apresentação na Feira do Livro Lisboa com Sónia Clemente, Sandrina Franscico e Luís Rodrigues da Editora Cordel d' prata

“Diário da Enclausurada” é o primeiro livro da consultora de moda Sandrina Francisco, foi escrito durante o confinamento, e apresentado este domingo na Feira do Livro, em Lisboa.

A viver no Montijo e habituada a uma vida social ativa, entre elas na sua empresa Fashion Studio, fundada em Leiria, começou a escrever, nas redes sociais, todos os dias às 17h00. Sem o prever, os desabafos da produtora de 44 anos acabariam por ajudar e fazer sentido para outras famílias “enclausuradas”.

Natural de Paris, mas com a família em Leiria, Sandrina acredita que quem ler o livro, editado pela Cordel d’ prata, veja “o lado positivo da vida”, rindo das “aventuras quotidianas”.

Notícias de Leiria (NL): “Diário da Enclausurada” é um livro na primeira pessoa com alguma imaginação à mistura?
Sandrina: A maioria das conclusões são reais. Quando comecei a escrever, fi-lo diariamente nas redes sociais sempre às 17h, sem sequer pensar em editar um livro.

Ou seja, cada dia de conclusões era o resultado da minha vivência nesse mesmo dia. Claro que fui acrescentando histórias que lia, que me inspiravam no momento, e comecei a observar mais o que acontecia no mundo e no país. Os nomes são reais, representam pessoas da minha vida.

Diário da Enclausurada Foto: Capa “Diário da Enclausurada” de Sandrina Franscisco

NL: Uma mulher workaholic (viciada em trabalho), um marido e uma cadela. Que atividades começaram cada um a fazer que nunca tinham feito? 
Sandrina: Penso que nos primeiros dias aproveitámos para ver séries, ler livros, e colocar o trabalho pendente em dia. À medida que os dias ia passando tivemos que nos reinventar.

Surgiram os diários da enclausurada, pintei 4 quadros a óleo, gravámos vídeos de culinária, arrumámos a casa a fundo e organizei o regresso ao trabalho. Era importante ter tarefas diárias, para manter alguma sanidade mental. E sim fizemos pão, bolos, receitas mais complicadas. Foi um tempo bem passado embora com algum medo do futuro. E liguei todos os dias para os meus pais que vivem em Leiria, algo que anteriormente não fazia, confesso.

NL: Pessoas com um ritmo de trabalho intenso pensam muitas vezes em fazer uma pausa ou até mudar de estilo de vida. Esta paragem forçada mudou a maneira da Sandrina de ver a vida?
Sandrina: Primeiro soube-me bem parar um pouco. Estávamos muito cansados e supostamente tínhamos marcado férias para março (que adiámos pois não sabemos quando poderemos viajar). Poder dormir e descansar e fazer o que nunca tínhamos tempo para fazer não foi mau no início.

Penso que a paragem obrigatória não mudou a minha maneira de ver a vida. Por norma sou muito positiva e grata pelo que tenho, e ficar em casa com saúde, amor e amigos por perto só me fez dar mais valor ao que tenho. Temos que viver cada dia com alegria, e o “Diário da Enclausurada” é isso mesmo: ver o lado positivo da vida e rir das aventuras quotidianas.

NL: O que aprendeu em 51 dias privados de contacto social?
Sandrina:
Que somos animais sociais e que a companhia e os afetos nos fazem falta. Gosto do convívio, da partilha de ideias, de abraços, de gargalhadas sonoras. Senti mais falta da minha família, dos meus amigos e colegas de trabalho com quem estou diariamente até fora da agência.

Mas também aprendi que somos felizes com pouco e que vivemos numa sociedade demasiado consumista e acelerada e que a paragem nos fez refletir sobre o que realmente é mais importante para nós.

NL: Caso haja uma segunda vaga, este diário poderá ajudar a ultrapassar um novo confinamento?
Sandrina: De uma certa forma penso que ajudou quem o ia lendo diariamente quase “em direto” pois recebia imensas mensagens de amigos que se iam rindo e comentavam que esperavam pelas 17h para os ajudar a passar melhor o dia. Que este diário faça sorrir cada leitor em momentos menos positivos, mesmo que não seja em confinamento.

NL: Em casa, em confinamento, quais os três objetos que não podem faltar?
Sandrina: Um telemóvel para falar com quem está longe, com a família e amigos. Uma televisão para ver séries, filmes e documentários. Um kit de pintura a óleo para criar!

NL: Como consultora de moda, em casa, também há um dress code?
Sandrina: Há sim. Pijamas para dormir e pijamas para estar em casa. Estou a brincar 🙂 O importante é sentirmos-nos confortáveis em casa, com peças que nos deixem à vontade e com liberdade de movimentos. Usar calçado de casa – chinelos, pantufas etc e nunca usar os sapatos da rua no interior.

Se tivermos reuniões online há que ter o cuidado de estarmos como quando estamos em trabalho no escritório com o vestuário, cabelo e maquilhagem cuidados.

NL: Como tem sido a aceitação do livro? O que é que os leitores lhe dizem?
Sandrina: O livro até agora só esteve na Feira do Livro e a vender online. Sei que já vendemos exemplares e tenho recebido algumas mensagens de leitores a agradecerem porque se divertiram. E isso é muito agradável. Espero que todos se revejam no livro e se identifiquem com algumas situações.

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