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No combate ao vírus, nenhum estudante pode ser prejudicado

“De repente, a meritocracia, os benefícios da competição, os dogmas neoliberais, caem por terra e as consequências de décadas de ataque às funções sociais do Estado são precipitadas pelo surto Covid-19.”

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Opinião Notícias de Leiria
Foto: NL

Por estes dias, multiplicam-se os testemunhos alarmantes de estudantes de todos os graus de ensino que se sentem a ficar para trás, que denunciam a diminuição de rendimentos das famílias e o aumento das desigualdades, que se queixam do aumento dos níveis de ansiedade e de problemas ao nível da saúde mental…

Estes contrastam com os dos defensores acérrimos dos Exames Nacionais, dos inflexíveis padroeiros da propina, ou dos que logo sentiram a oportunidade para anunciar um Ensino à Distância que se prolongasse, que, quem sabe, pudesse ser mesmo solução de futuro!

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Não é preciso ir muito longe para desmontar os argumentos destes e muitos já o têm feito. Não obstante o esforço honesto de muitos professores e escolas em garantir tanto quanto possível o direito à educação, a realidade mostra-nos com uma preocupante clareza que a implementação do Ensino à distância aprofunda o fosso socioeconómico entre estudantes: são os que não têm computadores em casa ou que os têm de dividir, os que não tem ambientes familiares favoráveis, os que se encontram em situação económica mais frágil e que em muitos casos piorou nestes últimos tempos, que são mais prejudicados.

Se o problema é em certa medida transversal a todos os cursos e graus de ensino, o caso da Escola Superior de Artes e Design, nas Caldas da Rainha, é paradigmático. Uma Escola onde os cursos, na sua grande maioria, exigem uma grande componente prática… As soluções excepcionais alcançadas não disfarçam limitações materiais que se prendem com décadas de subfinanciamento – houvesse mais salas e em melhores condições, houvesse mais materiais à disposição dos estudantes, houvesse mais (e mais valorizados) professores, e os impactos do surto seriam certamente minimizados.

É esta a realidade que é colocada em particular evidência. De repente, a meritocracia, os benefícios da competição, os dogmas neoliberais, caem por terra e as consequências de décadas de ataque às funções sociais do Estado são precipitadas pelo surto Covid-19.

Perante as notórias insuficiências e limitações da proposta do governo do PS do Orçamento Suplementar, o PCP apresentou um conjunto amplo de propostas no sentido da defesa dos trabalhadores, das famílias, dos jovens, dos MPME – das camadas mais afectadas pelo surto e que viram os seus rendimentos diminuídos brutalmente, ao passo que os grandes grupos económicos, acumuladores de lucros milionários ao longo de ano, reivindicaram a parte do leão dos apoios do Estado. No que ao Ensino diz respeito, merece destaque a proposta para o Plano de investimento excepcional e temporário nas áreas do Ensino Superior e da Ciência, a contratação de mais professores e assistentes operacionais nas escolas, a redução do número de alunos por turma ou o reforço da Acção Social Escolar.

No próximo ano lectivo, a preocupação tem de ser pedagógica e não meramente economicista. É incompreensível como o dinheiro nunca falha para um sempre esfomeado Novo Banco, mas falta as escolas da região e do país.

É imperativo garantir que nenhum estudante acaba prejudicado pelo surto epidémico, e se asseguram os meios e cuidados especiais com os que mais têm sido afectados. É imperativo corresponder às reivindicações dos estudantes que de diversas formas se têm manifestado e concretizar as propostas do PCP e garantir uma Escola de qualidade para todos.

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Membro da Comissão Política e do Secretariado da Direção Nacional Juventude Comunista Portuguesa. É estudante e tem 21 anos.

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