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Opinião

Não se esqueçam do novo traçado da Linha do Oeste!

“Assim, é com gáudio que saúdo a abertura do concurso público para a empreitada de modernização do troço da linha entre Torres Vedras e Caldas da Rainha no passado dia 12 de outubro. Mais vale tarde do que nunca!”

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em

Opinião Rui Prudêncio
Foto: NL

A crise das alterações climáticas que assola o planeta obriga a que os Estados signatários do Acordo de Paris (2015) se comprometam com políticas que impeçam a subida da temperatura média global para além dos 2 graus celsius e que se esforçem sobretudo para limitar o aumento da temperatura média até 1.5 graus celsius em relação à temperatura média registada em 1990. Uma vez que as emissões de gases com efeitos de estufa, oriundas sobretudo da queima de combustíveis fósseis, são as principais responsáveis pelo aumento da temperatura média global, cumprir o Acordo de Paris significa em larga medida descarbonizar a economia.

É neste contexto que deve ser dada uma nova oportunidade à ferrovia nacional. Apostar na ferrovia é uma política ecológica, social e económica, é uma daquelas, raras, medidas que agrada a todos. Estamos no século XXI, estamos na Europa! É por demais evidente que o transporte deste século na Europa deve ser o comboio.

A nossa rede ferroviária ficou ao abandono nas últimas 3 décadas pelos sucessivos governos. Portugal tem sido um dos estados membros com menos investimento na ferrovia desde a adesão à UE em 1986… mesmo depois de tantos milhões em fundos comunitários. Se a rede ferroviária tem sido abandonada no geral a Linha do Oeste tem sido particularmente desprezada.

Assim, é com gáudio que saúdo a abertura do concurso público para a empreitada de modernização do troço da linha entre Torres Vedras e Caldas da Rainha no passado dia 12 de outubro. Mais vale tarde do que nunca!

Esta empreitada, de 40 milhões de euros, insere-se no programa de modernização da Linha do Oeste que eletrificará o troço entre Meleças e Caldas da Rainha. Com isto espera se poupar 30 minutos de viagem entre Caldas da Rainha e Lisboa e o aumento da oferta de horários entre as duas cidades. Mas sobre o programa de modernização da Linha do Oeste há que alertar para dois aspectos cruciais que não devem nunca ser esquecidos:

O primeiro é que o ímpeto de modernização do governo não se fique pelas Caldas e vá até ao fim da Linha, ou seja, até à Figueira. O programa de modernização da Linha do Oeste tem de continuar a ser prioritário na carteira de investimentos em obras públicas.

Por outro lado é necessário ter a consciência que a Linha do Oeste só irá ser competitiva enquanto transporte de passageiros quando o tempo de viagem for próximo do tempo de viagem do transporte rodoviário. E para que o comboio seja competitivo com o autocarro não basta a eletrificação da linha, o aumento de velocidade, a supressão de passagens de nível, enfim, a modernização da linha. É necessário alterar o traçado da linha entre Malveira e Lisboa!

Uma das medidas previstas no acordo de compensação pela não construção do aeroporto da OTA entre Governo e a Comunidade Intermunicipal do Oeste era a realização de um estudo para a alteração do traçado da Linha do Oeste entre a Malveira e Lisboa. Porém, veio a crise económica de 2008 e o estudo ficou na gaveta. Entretanto passou a crise (agora temos uma nova crise a caminho) e o estudo do novo traçado da linha do Oeste continuou na gaveta do Governo.

Nesse ano de 2008 já existia um estudo do Instituto Superior Técnico, elaborado em 2004, sobre a alteração do traçado ferroviário entre Malveira e Lisboa. O estudo previa um novo traçado de 47 quilómetros com paragens em Malveira, Loures, Aeroporto da Portela e Chelas, com um custo de 248 milhões de euros. Além desta existe outra possibilidade: construir uma nova linha ferroviária entre Malveira e Loures onde fará o interfaçe com o metro que entretanto chegará a Loures pelo prolongamento da linha amarela.

Só a alteração do traçado, de forma a aproximar o tempo de viagem a Lisboa ao tempo de viagem do autocarro, pode conferir à Linha do Oeste a função de projeto estratégico para a região Oeste e região de Leiria.

Comissário político e assessor da Distrital de Leiria do PAN, tem 45 anos e é natural de Armação de Pêra, em Silves.

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