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Opinião

Modernização da Linha do Oeste: Ontem era tarde

“Todos os anos por esta altura quem nunca se queixou ou se viu impedido de ir a São Martinho do Porto por medo de não ter transporte para regressar ou por ter perdido o único que arrancava de manhã?”

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Opinião de Francisco Araújo JCP
Foto: NL

Amanhã, sexta-feira (24), os utentes da linha do Oeste saem à rua para uma vigília junto à Estação da CP nas Caldas da Rainha organizada pela Comissão para a Defesa da Linha do Oeste, exigindo aquilo que inexplicavelmente não está já concretizado: o projecto de modernização/electrificação e a aplicação do preço máximo de 70 € nos passes entre os concelhos da Comunidade Intermunicipal do Oeste e da Área Metropolitana de Lisboa.

Infelizmente, a linha do Oeste é paradigmática e revela o pior das consequências na ferrovia da política de direita desenvolvida ao longo de décadas por PS e PSD, com ou sem CDS.

A história desta linha é feita de altos e baixos e marcada pelo desinvestimento brutal com o objectivo de justificar o seu fecho ao transporte de passageiros, que chegou mesmo a ser anunciado pelo último (e de má memória) Governo PSD-CDS.

Travada essa intenção, importa agora concretizar as promessas que se multiplicam em campanhas eleitorais. Nem o próprio surto epidémico pode servir como desculpa para todos os problemas, pois que se veja que o prazo anunciado com toda a pompa pelo Secretário de Estado dos Transportes para o lançamento do concurso da obra entre Torres Vedras e Caldas da Rainha, foi Outubro de 2019 – sim, há mais de 9 meses – e a aplicação da redução tarifária para os 70€ deveria ter entrado em vigor no dia 1 de Janeiro – sim, há mais de 7 meses!

O PCP alertou e agiu no sentido oposto, correspondendo aos interesses das populações. Pode não ter aparecido nas TV’s nem ter merecido honras de capa de jornais, mas sugiro que cada um faça a pesquisa no seu motor de busca das expressões “Linha do Oeste + PCP”. Os resultados disparados em milésimas de segundo são reveladores de como, também aqui, não estamos perante um mal inevitável.

Como o PCP vem defendendo, é urgente uma política alternativa também para a ferrovia e os transportes públicos. Uma política que mobilize os meios necessários para a manutenção e modernização da ferrovia, bem como garanta as condições de produção e reparação em Portugal de material circulante, valorizando os trabalhadores e servindo as populações.

E se, posto isto, todos temos motivos para marcar presença na vigília, revestidas razões têm os jovens, que, de forma particular, aqui na região de Leiria, denunciam a falta de transportes públicos como um dos seus mais significativos problemas.

Assim é pelos preços excessivos e uma escassíssima frequência horária para os milhares que estudam e trabalham noutro concelho e longe de casa, como pelo reflexo da mobilidade nas diversas esferas da vida como o direito ao lazer, ao desporto e à cultura. Todos os anos por esta altura quem nunca se queixou ou se viu impedido de ir a São Martinho do Porto por medo de não ter transporte para regressar ou por ter perdido o único que arrancava de manhã?

Nesta luta, particularmente nos momentos mais difíceis como o que vivemos em que tantos vêem as suas condições de vida agravadas, todos não somos demais e podem contar com o PCP e a JCP. Encontramo-nos às 18h, junto à Estação da CP!

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Membro da Comissão Política e do Secretariado da Direção Nacional Juventude Comunista Portuguesa. É estudante e tem 21 anos.

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