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Leiria, reentre no ensino ​

“A ausência de uma sala de estudo disponível 24h, trivial em qualquer município dotado de instituições de referência como as nossas, é mais uma ausência capturada pela inércia de ação”.

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Opinião Notícias de Leiria
Foto: NL

A vivacidade da cidade de Leiria com a presença da comunidade estudantil é inegável. A região não fica indiferente e economicamente os números são factuais: 76 milhões de euros de impacto directo na actividade económica da região, 55% dos alunos deslocados num total de 11.300 alunos inscritos no Instituto Politécnico de Leiria. O ensino e educação tomam desta forma um papel preponderante para o nosso município exigindo um olhar atento por parte do executivo.

É fundamental a definição de um plano municipal para a retoma do ensino, desenvolvido em colaboração com todas as entidades da área em questão. Numa fase crucial para os estudantes na definição do futuro académico tendo em vista o próximo ano lectivo, preparar desde já a reentre estudantil nos meses de setembro e outubro significa afirmar Leiria como um município capaz, prevenido e aliciante, sendo que a vinda de jovens no presente é uma aposta na sua fixação no futuro. Como tal, existem algumas situações das quais o município deve acautelar.

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A sobrelotação dos transportes Mobilis – rede que serve o IPLeiria – bem como a deficiente oferta eficaz de mobilidade da periferia até ao centro da cidade, contrasta com a necessidade premente de distanciamento social no contexto atual e com o papel de promoção ambiental. É essencial capacitar as estruturas e serviços do município para receber os 8 mil estudantes do politécnico na nossa cidade, bem como assegurar o transporte de todos os alunos da rede de ensino básico e secundário do nosso concelho de forma eficaz e em segurança, caminhando deste modo para um modelo de ensino dual: virtual e presencial.

Nos últimos 2 anos, o orçamento da Câmara Municipal não sofreu alterações nas verbas para a atribuição de bolsas de estudo. Este programa visa apoiar aos estudantes universitários e respetivas famílias no liquidar das despesas académicas. Perante a emergência social e a calamidade económica atual, a promoção do elevador social deve ser tida como uma prioridade, não deixando nenhum jovem para trás. Numa fase em que os alunos do ensino secundário enfrentam a época de exames nacionais atípica mas essencial para a definição do seu futuro e os jovens já universitários debatem sobre o reinício das atividades lectivas, acalentar a esperança de uns que por motivos financeiros possam ver a sua progressão em risco e renovar a confiança de outros para prosseguirem estudos, deve coabitar no plano de ação contribuindo para o rasgar de ciclos de pobreza geracionais ao beneficiarem deste precioso contributo.

A ausência de resposta aos pedidos de alojamento são uma constante. Num total de 25% de bolseiros entre os estudantes do politécnico, aliado ao previsível agravamento no próximo ano lectivo, o município de Leiria deve procurar dar respostas a este flagelo. Uma temática que tem vindo por arrasto ao longo dos últimos anos, onde os bons exemplos municipais a nível nacional têm avançado operando ações colmatando o problema. O governo na anterior legislatura anunciou a execução de um programas para o alargamento da oferta de camas, tendo sido já constatado o atraso na sua execução, deixa assim as autarquias num marasmo de incertezas quanto ao momento da sua concretização contribuindo para a estagnação local.

​A inexistência de espaços de estudo em número suficiente na cidade é factual. Em época de exames o problema agravasse sendo de fácil constatação in loco a sobrelotação dos espaços. A ausência de uma sala de estudo disponível 24h, trivial em qualquer município dotado de instituições de referência como as nossas, é mais uma ausência capturada pela inércia de ação. Já nos últimos dias, a realidade dos espaços de restauração lotados e sem obrigatoriedade de uso de máscaras, onde os jovens têm permanecido a estudar, agrava exponencialmente o risco de contaminação. Sendo exigível uma tomada de medidas de forma urgente, a alteração do paradigma deve ser uma veracidade já no próximo ano lectivo.

Os jovens carenciados veem o acesso a material de proteção individual dificultado. No mesmo sentido da política de prevenção e proteção do município de Leiria, em articulação com as escolas primárias, básicas e secundárias do concelho não obstante o Politécnico, deve ser garantido o acesso de todos os estudantes a meios de proteção individual tendo por preferência máscaras reutilizáveis.

A proteção de uns será com certeza a segurança de outros. Até ao momento, a articulação entre a Camara Municipal de Leiria e a maior instituição de ensino do nosso concelho para a preparação do novo ano lectivo é inexistente, sendo certo que a construção de uma visão para o município não se compra com o dinheiro dos munícipes. A sua prática, para além de desajustada, verte um sentimento de prepotência e de sinal contrário aos valores democráticos. Em política, as boas ideias não têm dono, sendo estas naturalmente sobrepostas por uma força de magnitude maior, o bem comum.

Leiria enquanto cidade referência deve naturalmente estar virada para o futuro, dotada de capacidade, sabedoria, na comunhão da experiência parceira da juventude. No próximo ano lectivo, para além dos nossos jovens do ensino primário, básico e secundário, na hora dos novos estudantes universitários escolherem a cidade onde rumar, o Instituto Politécnico de Leiria, a sua academia e a cidade de Leiria devem ser uma preferência pela simbiose entre a qualidade de ensino e a reconhecida empregabilidade, com recurso aos trajados na arte de bem acolher, pautado pela confiança ao nível da segurança que o município deve estar apto a oferecer.

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Presidente da Juventude Popular de Leiria. Natural de Leiria, tem 22 anos e é estudante de Gestão de Recursos Humanos (ISCSP).

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