Ligue-se a nós

Cultura

Leirena Teatro representa dentro de bolha de plástico para evitar contaminação

“O globo de Sophia” vai ser apresentado ao público nos dias 26 e 27 de dezembro, no Teatro Miguel Franco, em Leiria.

Publicado

em

Leirena
Foto: “O globo de Sophia” / Leirena Teatro - Companhia de Teatro de Leiria

Uma grande bolha de plástico dentro da qual atores representam é a solução encontrada pelo Leirena Teatro, de Leiria, para manter a atividade e reduzir o perigo de contágio com covid-19 de público e elenco.

Teatro da Bolha é o título do novo projeto que arrancou em dezembro e que, nas duas últimas semanas, tem levado a escolas e jardins infantis do concelho de Leiria a peça “O globo de Sophia”, criada a partir da adaptação do conto de Sophia de Mello Breyner, “A noite de Natal”.

A ideia surgiu ao encenador Frédéric da Cruz Pires quando as escolas começaram a rejeitar a tradicional peça de Natal que a companhia tinha pensada para esta época do ano.

“Quando começámos a apresentar os dossiês do espetáculo que preparámos – que era outro -, nenhuma escola queria arriscar, por causa da pandemia”, recorda à agência Lusa.

Então, o encenador lembrou-se: “Porque não fazer um espetáculo de teatro dentro de um globo insuflável, como se fosse um globo de neve”, garantindo uma barreira transparente entre atores e espetadores, “com todas as regras de segurança”.

Da China veio o dispositivo cénico e, quando montado pela primeira vez na sala de ensaio, revelou-se uma surpresa pelas possibilidades de luz, sombra e movimento.

“Percebi logo que isto não era um cenário para um único espetáculo, mas uma estrutura cénica para vários espetáculos ao longo de 2021”, explica Frédéric da Cruz Pires.

Assim, o Leirena já trabalha para tornar o Teatro da Bolha permanente e representar, dentro dela, no próximo ano, “um espetáculo de intervenção e outro mais afetivo”, destinados a público mais adulto.

“Vamos explorar este objeto cénico de várias maneiras, salvaguardando toda a gente e explorando as suas potencialidades, que são estrondosas”, diz o encenador.

Segundo o responsável, tanto quanto a companhia de Leiria investigou, a ideia de fazer teatro dentro de uma bolha de plástico é original.

“Por uma questão ética e de profissionalismo, procurámos em Portugal, no Brasil, em Espanha e França e encontrámos várias ideias fantásticas de adaptação teatral à pandemia, mas nada que utilize um objeto cénico semelhante. Pode existir, mas não encontrámos”, afirma.

Até ao final de dezembro, o Teatro da Bolha vai apresentar “O globo de Sophia” numa dúzia de escolas, envolvendo dois atores profissionais e cinco estagiários do Curso de Teatro do Colégio São Teotónio.

POPULARES