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Cinema

Farming – Identidade e racismo

“Farming” pode ser visto no dia 14 de outubro, no Teatro Miguel Franco.

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em

Farming
Foto: Farming / DR

Título: Farming
Realizador: Adewale Akinnuoye-Agbaje
Ano: 2018
Classificação Notícias de Leiria: 7 brisas do lis

 

Enitan (Damson Idris) é uma entre várias crianças oriundas de países africanos e entregues a famílias britânicas, brancas e da classe trabalhadora, na esperança de alcançarem um melhor futuro. A este fenómeno muito comum nas décadas de 60, 70 e 80 chamou-se “farming”, por se distinguir da adoção na medida em que o objetivo dos pais biológicos era recuperar as crianças, assim que tivessem condições para cuidar delas. A longa-metragem, baseada na infância do escritor e realizador Adewale Akinnuoye-Agbaje, evidencia de forma crua as consequências sociais e pessoais deste fenómeno.

Por um lado, temos a parte da população britânica que se opõe à presença de pessoas de raça negra no país, dando origem a gangues de “skinheads”, que dão rédea solta ao seu ódio através da humilhação e da violência. Por outro lado, temos famílias mal preparadas para receber estas crianças, cujos motivos são dúbios e os problemas estruturais. Algumas destas famílias que não compreendem os desafios a enfrentar, nem têm as competências necessárias para proteger e preparar estes jovens para a vida adulta.

E temos ainda as crianças. Muitas vezes só conhecem os “pais” brancos, que são diferentes deles. Na escola e na rua, são bombardeados com comentários e ações racistas, sem contraponto. Quando são recuperados pelas famílias de origem, são confrontados com um mundo totalmente diferente daquele no qual cresceram; um mundo assustador, com uma língua que não compreendem e costumes que não conhecem. Todos estes fatores contribuem para uma crise de identidade, na qual as crianças se tornam adolescentes por força do crescimento, mas sem terem uma visão concreta de quem são e da sua história, tornando-se presas fáceis das retóricas preservas e cruéis de grupos racistas e xenófobos.

Este é um filme com muitas camadas e com importantes lições, para um mundo que se radicaliza a cada minuto que passa.

Veja aqui o trailer:

Filipa Reis sempre foi apaixonada pelas imagens do grande ecrã e também do pequeno. É consumidora assídua e ávida de longas-metragens, documentários, séries e livros. Licenciou-se em Comunicação Social, pela Escola Superior de Educação de Coimbra. Depois de estagiar na ESEC TV, foi assistente de produção no programa Câmara Clara da RTP. Em 2013, iniciou uma nova fase profissional, na LUA Filmes, onde se mantém até hoje como produtora.

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