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Opinião

Dois errados…

“A questão que se coloca não é ser o Avante, não é ser a festa do PCP, podia ser de qualquer outro partido que a mensagem seria exatamente a mesma: onde está a coerência?”

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em

Opinião de Telmo Filipe Marques
Foto: DR

Então e as touradas? E a Festa da Flor? E a Feira do Livro?

Esta afirmação poderá apanhar o leitor desprevenido, mas a realidade é que não, os festivais não foram proibidos. Do esclarecimento deixado pelo Presidente da República aquando da promulgação do controverso decreto-lei n.º 10-I/2020, podemos concluir que afinal qualquer espetáculo se pode realizar desde que sejam cumpridas as normas da DGS.

No entanto é crucial referir que este oportuno esclarecimento surge só e após o alarido criado em torno da Festa do Avante e do consequente sentimento de divisão que este evento veio trazer, mostrando-se como uma exceção tão específica. A questão que se coloca não é ser o Avante, não é ser a festa do PCP, podia ser de qualquer outro partido que a mensagem seria exatamente a mesma: onde está a coerência? Ou a firmeza na mensagem que é transmitida aos restantes cidadãos que tiveram os seus eventos, os seus ajuntamentos, alvo de diferentes normas?

Ainda não estávamos a discutir o Avante nem a sua similitude com outros festivais, e a Iniciativa Liberal já demonstrava preocupação com regras pouco claras: passear no parque sim, mas na praia não; banhos de mar não, mas com prancha sim; pescar sim, mas caçar não… A questão dos festivais não é diferente, é apenas uma extensão da mesma mensagem desorientada que os socialistas nos presentearam desde o início da pandemia.

Mas feitas as contas, podemos afinal concluir que é seguro voltar à normalidade criando o hábito dos devidos cuidados, certo? A resposta parece óbvia, porém com o anúncio do alargamento do Estado de Contingência a 15 de setembro voltamos à mesma questão: onde está a coerência? As desculpas dadas são superficiais quando comparadas com os aglomerados nas praias a que fomos assistindo durante este período de Verão.

Dois errados não fazem um certo, e este governo socialista falhou-nos em particular na falta de clareza da distinção entre certo e errado. O vírus não distingue o parque da praia, nem futebol da tourada, porque deve este governo fazer essa distinção em seu nome?

O importante é entender o que é – ou não – seguro, e ser coerente na definição das regras, sem exceções e exceçõezinhas que apenas servem para dividir os portugueses entre filhos e enteados.

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Coordenador para a Juventude do Núcleo de Leiria do partido Iniciativa Liberal. Natural de Abrantes, com 30 anos, é professor e engenheiro informático.

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