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Opinião

Do Pinhal do Rei ao esquecimento

“Desastres como o do Pinhal do Rei vão infelizmente repetir-se, mas enquanto sociedade resta reerguer-nos das cinzas, exigir ações daqueles que nos governam, participar e mobilizar-nos na recuperação do nosso território”.

Publicado

em

Opinião de Telmo Filipe Marques
Foto: NL

Três anos passados, 86% de uma destruição refletida em cepos negros cortados rente ao chão em talhões vazios de perder o horizonte, quase 14 milhões de euros em lenha queimada, sem um verdadeiro plano de recuperação, apenas com mágoa e uma mão cheia de nada, impõem-se a questão: afinal qual é o futuro da Mata Nacional de Leiria?

Esta semana, veio a público a notícia que uma autarca do distrito, filiada no PS, veio exigir ao Governo um plano de ação para o Pinhal do Rei. Na bizarria de um Governo que deixa arder e não cuida aquilo que é o património do Estado (ou seja, de todos) e de quase 3 anos sem uma visão para a Região, sem um plano que não seja cortar a lenha queimada, o Parlamento aprovou, no passado dia 26 de Junho com o voto favorável da Iniciativa Liberal, uma resolução que incita o Governo a criar um plano para a recuperação. No entanto, espante-se o leitor com o único voto contra: o voto do PS. O partido da mesma autarca que vem agora demonstrar publicamente (para todos os que queriam acreditar) preocupação com o estado deste território visivelmente abandonado. É demais notória, para quem quer que hoje faça a Estrada Atlântica, a indiferença deste Governo com os problemas da Mata, a evidente a falta de estratégia do ICNF e de orientação política da CCDR-Centro para a recuperação deste território. Ministros com tiques de autoritarismo e Secretários de Estado nos seus gabinetes à beira-Tejo plantados, fazem-se anunciar, com pompa e circunstância nos noticiários das 20h, com meios e dispositivos de combate a incêndios, mas sem uma verdadeira estratégia de recuperação, sem planos de ação calendarizados e sem instituições dotadas de fundos e recursos para o dia que se segue. Palavras, apenas palavras e intenções.

Desastres como o do Pinhal do Rei vão infelizmente repetir-se, mas enquanto sociedade resta reerguer-nos das cinzas, exigir ações daqueles que nos governam, participar e mobilizar-nos na recuperação do nosso território.

Exige-se por isso um plano de recuperação para este território assente em 3 eixos:

i) Limpeza do coberto vegetal destruído que ainda permanece na manta de retalhos que se tornou a Mata de Leiria;

ii) Conservar o que restou da destruição causada e impedir espécies invasoras como o eucalipto de se disseminarem;

iii) Reflorestar. Que os quase 14 milhões de euros que resultaram da venda da lenha queimada não sirvam para salvar empresas ditas “estratégicas” que servem apenas os interesses de alguns, mas que sejam postos à disposição de um fundo para a reflorestação deste território, no acordo com as melhores práticas de silvicultura e recomendações dos especialistas.

Mas acima de tudo é essencial não tornar o Pinhal do Rei apenas numa fotografia de postal!

Queremos um Pinhal vivo! Um pinhal que signifique mais do que lenha para venda, um pinhal com um impacto económico significativo para as empresas e para as famílias que fazem da silvicultura a sua fonte de sustento. O plano de recuperação deve ser mais do que um simples plano de reflorestação: deve ser um plano que envolve as empresas e especialistas e que deve ter em conta que qualquer euro gasto do dinheiro dos impostos dos portugueses (e pesada é a carga), deve ser fiscalizado, monitorizado, e terá de significar um retorno positivo no futuro desta região.

Ser Liberal não é por isso apenas, defender os interesses da iniciativa privada (de que aliás são um exemplo meritório muitas ONGs e pessoas anónimas, têm feito um esforço de recuperação deste território). Ser Liberal é sobretudo exigir a quem nos governa responsabilidade pela utilização do dinheiro público na resolução dos problemas que a sociedade civil sozinha não pode resolver. Do pagamento de impostos é esperado, por todos os portugueses, um retorno social, económico e ambiental positivo.

Neste artigo não caberá toda a visão da IL para um Pinhal do Rei que se quer de todos e para todos.

Assim com os habitantes da Região de Leiria não esquecem aquele fatídico mês de outubro de 2017 que quase destruiu a totalidade do Pinhal do Rei, o Núcleo de Leiria da Iniciativa Liberal, estará atento e não se esquecerá de lutar por um distrito próspero, ambientalmente sustentável e com uma visão para o futuro.

Artigo com co-autoria de Dário Florindo, coordenador financeiro do núcleo de Leiria do partido Iniciativa Liberal.

Coordenador para a Juventude do Núcleo de Leiria do partido Iniciativa Liberal. Natural de Abrantes, com 30 anos, é professor e engenheiro informático.

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