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Cistermúsica arranca no dia 22 só com artistas nacionais

Os concertos realizados na nave central do Mosteiro de Alcobaça e o Mosteiro de Cós mantém-se gratuitos.

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em

Alcobaça
Foto: Facebook Município de Alcobaça

O Festival de Música de Alcobaça Cistermúsica arranca no dia 22 numa edição composta por artistas nacionais, com menos concertos e público reduzido em cerca de metade para cumprir medidas de contenção da pandemia da covid-19.

A 28.ª edição do Cistermúsica assume-se como “um sinal de esperança para o setor cultural, para os músicos nacionais e para o público”, disse à agência Lusa o diretor artístico, Rui Morais, sublinhando a importância do festival que decorre em Alcobaça, no distrito de Leiria, entre os dias 22 de julho e 19 de agosto.

Com “uma programação adaptada aos tempos excecionais que se vivem”, o festival restringe o cartaz a artistas nacionais e a formações de dimensão mais reduzida, “por um lado devido à incerteza em torno das fronteiras e das restrições às viagens aéreas” e, por outro, “para garantir as normas de segurança e distâncias em palco”.

De fora ficam “as grandes orquestras e as formações internacionais que estavam previstas e cujos concertos ficam adiados para o próximo ano”, adiantou o diretor do festival que este ano assenta a programação na celebração de duas efemérides: os 500 anos da circum-navegação e os 250 anos do nascimento de Beethoven.

Sob a égide de Beethoven, a programação inclui a 5.ª Sinfonia e o concerto para piano e orquestra “Imperador” pela Orquestra Filarmónica Portuguesa e João Bettencourt da Câmara, um recital de piano por Miguel Borges Coelho e três formações de música de câmara: o Quarteto Tejo com António Saiote; Jed Barahal e Christina Margotto; e os Solistas da Orquestra Sinfónica Casa da Música.

Incluirá ainda propostas que vão desde a época de ouro da polifonia portuguesa, através do Ensemble de São Tomás de Aquino, até uma versão intimista do Stabat Mater de Pergolesi, interpretado pelo acordeonista João Barradas e as cantoras Bárbara Barradas e Cátia Moreso.

“Assente na ideia de diáspora, as propostas embarcam numa viagem pelas influências de Portugal no mundo, com os Sete Lágrimas e a forma como a identidade musical portuguesa evoluiu desde as Cantigas de Santa Maria até ao fado, passando pelo barroco e pelas influências tropicais presentes no projeto ‘Do Barroco ao Fado’ dos Músicos do Tejo que reúne o fadista Ricardo Ribeiro e a soprano Ana Quintans”, divulgou a organização.

Ainda à volta do barroco, e ligado ao mar, o programa inclui a orquestra La Nave Va, a quem se junta o tenor Marcel Beekman, em cujas árias é notória a influência do elemento marítimo.

Com o Mosteiro de Alcobaça como epicentro, o festival volta a apostar, à semelhança das edições anteriores, numa programação cultural em rede, que levará alguns dos concertos a São Pedro de Moel (Marinha Grande), Universidade de Coimbra e Convento das Bernardas – Museu da Marioneta (Lisboa).

Em tempo de pandemia o número de concertos é reduzido da habitual meia centena para “cerca de 15”, entre os quais os protagonizados por orquestras barrocas serão os que terão mais elementos em palco, mas “nunca ultrapassando as duas dezenas de músicos”, afirmou Rui Morais.

A organização entendeu ainda cortar os preços das entradas em 50%, oscilando os valores dos ingressos entre os cinco, os oito e os 10 euros, mantendo-se gratuitos os concertos a realizar em locais de culto (a nave central do Mosteiro de Alcobaça e o Mosteiro de Cós).

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