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Opinião

Adotar um animal idoso não está ao alcance de todos os corações

“A sociedade ainda não é muito recetiva à adoção de animais mais velhos, procurando sempre cachorrinhos.”

Publicado

em

Assocação Zoófila de Leiria
Foto: NL

Os seus olhos já não conseguem ver tão bem, as suas pernas andam mais devagar, às vezes até precisam de ajuda para se levantar e ajuda para se guiarem no caminho. As brincadeiras já não são as mesmas. Os ossos já doem, e a energia vai diminuindo de dia para dia. Infelizmente para muitos, isso é fator para ser excluído da família. É motivo para se abandonar aquele que foi o companheiro de uma vida, motivo para ser trocado por um cão mais jovem, mais energético e mais divertido.

O que se passará no coração de uma pessoa, que larga ao seu destino um animal? Mas o que se passará na cabeça de uma pessoa que larga o amigo de uma vida precisamente na altura em que mais precisa de ajuda? Um animal não pediu para nascer. Ele não pediu para ser acolhido na vossa família. Ele não pediu para acabar no meio da rua ou até num canil com mais de 80 cães.

As guerras entre eles dentro de canis por vezes são fatais. Por isso, para um cão idoso é extremamente doloroso viver num canil. Tem de dividir um espaço pequeno, a comida, e a atenção. Os ataques entres eles são frequentes. O frio é imenso e a confusão é dolorosa.

A Associação Zoófila alberga maioritariamente cães idosos, deparamo-nos que a sociedade ainda não é muito recetiva à adoção de animais mais velhos, procurando sempre cachorrinhos. Adotar um animal mais velho, poderá ser a solução para quem vive num apartamento e quer uma companhia. Poderá ser também importante para acompanhar pessoas mais velhas, uma vez que já não tem tanta energia. Para pessoas que precisem de tomar medicação diária, o facto de albergar um animal que obrigatoriamente também tome, ajuda a relembrar a sua toma e a motivar cuidar-se.

Independentemente dos vários benefícios em adotar um animal mais velho, em detrimento da escolha por um bebé, o aspirante a adotante deve ter a plena noção que está a colocar na sua rotina uma vida, um animal que possivelmente já sofreu um abandono e que não merece passar pelo mesmo mais uma vez. Antes de se adotar um animal deve-se consultar a disponibilidade financeira, psicológica e familiar.

O destino mais provável dos animais mais velhos que se encontram nas associações ou canis é morrer nesses mesmos locais, porque estes não são a preferência dos adotantes. Por esta razão, adotar um animal idoso é um ato de altruísmo que não está ao alcance de todos os corações.

Membro da Associação Zoófila de Leiria - Fiéis Amigos.

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