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A saúde não será só de alguns

“Até ao final do ano passado existiam no Centro Hospitalar de Leiria 1133 pessoas a aguardar consulta de neurologia.”

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Opinião Notícias de Leiria
Foto: NL

O problema crónico de subfinanciamento do SNS já não espanta ninguém, mas a ginástica necessária para conciliar esta realidade com o fenómeno do milagre português é realmente espantosa. Como foi possível, sem qualquer reestruturação, o SNS passar de besta a bestial durante a pandemia da Covid-19? Spoiler alert: não passou.

Não precisamos ir muito longe, basta analisar os números do concelho para ver o resultado de décadas de desprezo, ideologia e incapacidade para inovar.

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Até ao final do ano passado existiam no Centro Hospitalar de Leiria 1133 pessoas a aguardar consulta de neurologia. Destes, 1112 aguardavam uma média de 989 dias numa prioridade que define tempo máximo para consulta de 150 dias. São 2 anos e 8 meses a aguardar por consulta no público, num contexto em que o tempo máximo já são uns incompreensíveis 5 meses. Como este existem outros exemplos: em cirurgia geral eram 314 dias quando não deveria ultrapassar os 180 dias, dermato-venereologia eram 180 dias quando não deveria ultrapassar os 60 dias, e por aí fora.

Estamos bem longe do milagre, e contabilizando as consultas canceladas, redirecionamento de recursos e outros prejuízos causados pela pandemia da Covid-19, estes números apenas podem ser piores.

Poderá chocar o leitor saber que há espaço para fazer melhor, sem investimento em contratação ou infraestrutura, e com recursos que podem ser aproveitados no imediato.

Como? Recorrendo à rede privada de prestadores de saúde que, muitos ignoram, também são parte do SNS através de vales e acordos. Infelizmente o privado continua a ser o último recurso: um utente vai aguardar o tempo máximo de resposta garantido ainda que na porta ao lado um prestador privado consiga executar o serviço imediatamente por um custo equivalente. Não há justificação moral para isto, apenas razões ideológicas encapotadas por argumentos económicos. É preciso mais sinergia entre público e privado, um sistema que permita o utente escolher onde quer ser tratado, que não amarre doentes a listas de espera intermináveis contra a sua vontade. A saúde não pode ser só para alguns!

Por estas razões, milagre português só se for o da multiplicação de recursos e das horas de trabalho pelos profissionais de saúde, muitas vezes a grande custo pessoal – emocional e económico. Esta é a verdadeira Liga dos Campeões, que não precisa da versão futebolística para nada, mas de recursos – independentemente de ideologias – que possibilitem o exercício pleno da profissão.

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Coordenador para a Juventude do Núcleo de Leiria do partido Iniciativa Liberal. Natural de Abrantes, com 30 anos, é professor e engenheiro informático.

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