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44% dos portugueses com anticorpos não tiveram sintomas – Inquérito Serológico Nacional

Apenas 2,9% da população portuguesa tem anticorpos contra o SARS-CoV-2, “um valor inferior ao necessário para alcançar uma potencial imunidade de grupo”.

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Teste Covid-19
Foto: Covid-19 / Pixabay

Foi publicado esta sexta-feira o primeiro estudo serológico nacional realizado em Portugal com a conclusão que cerca de 44% dos portugueses com anticorpos específicos contra o novo coronavírus não referiram qualquer sintoma.

Realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), segundo o estudo, realizado entre março e junho, 2,9% da população portuguesa tem anticorpos contra o SARS-CoV-2, “um valor inferior ao necessário para alcançar uma potencial imunidade de grupo”.

O INSA afirma que não foram “encontradas diferenças significativas entre regiões e grupos etários” e conclui que a presença de anticorpos foi mais elevada nas pessoas que referiram ter tido um contacto prévio com caso suspeito ou confirmado de covid-19 (22,3%) do que entre as que não tiveram (2%). O mesmo se verifica entre quem teve sintomas compatíveis com a doença, como febre, arrepios, tosse, dispneia, cefaleias, náuseas/vómitos, diarreia e perda de paladar ou olfato (6,5%).

O inquérito, desenvolvido através dos departamentos de Epidemiologia e de Doenças Infeciosas do INSA, em parceria com a Associação Nacional de Laboratórios Clínicos (ANL) e vários hospitais do SNS, revela uma presença de anticorpos “de acordo com valores obtidos noutros estudos seroepidemiológicos de base populacional e âmbito nacional realizados noutros países”.

No que respeita à distribuição por sexo, a percentagem de anticorpos estimada foi mais elevada nos homens (4,1%) do que nas mulheres (1,8%). Mas apresentou valores semelhantes para os grupos etários, oscilando entre 2,2% dos 10 aos 19 anos e 3,2% dos 40 aos 59 anos. Em termos geográficos, “embora sem significância estatística”, a percentagem varia entre 1,2% no Alentejo e 3,5% em Lisboa e Vale do Tejo, refere o INSA.

Por nível de escolaridade, observaram-se diferenças “estatisticamente significativas”. A presença de anticorpos é mais elevada nas pessoas apenas com o ensino secundário (6,4%) do que nas que têm o Ensino Superior concluído (1,4%).

Segundo a coordenadora do estudo, Ana Paula Rodrigues, os resultados encontrados “aconselham a manutenção das recomendações de proteção individual e coletiva para todos os indivíduos, independentemente do respetivo nível de anticorpos específicos contra SARS-CoV-2, e mostram a necessidade de monitorizar a evolução da seroprevalência destes anticorpos na população, de acordo com a evolução da epidemia em Portugal”.

Este é o primeiro estudo serológico nacional realizado em Portugal, tendo incluído uma amostra não-probabilística de 2.301 pessoas residentes em Portugal, com idade superior ou igual a 1 ano de idade, recrutados em 96 pontos de colheita de sete laboratórios clínicos e 18 hospitais do SNS.

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